Insetos na alimentação: Eles podem ser comida do futuro e ajudar a reduzir a fome no mundo?

Publicado em 04/04/2014

Os insetos constituem o maior grupo animal da face da Terra: há um milhão de espécies vivas conhecidas de um total de 30 milhões que provavelmente existam. 

E como alimento dos seres humanos? Sim, já estão pensando nisso. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) acredita que o futuro do combate à fome no mundo está justamente no consumo desses bichinhos. 

A organização calcula que quase 1 bilhão de pessoas sofram de desnutrição atualmente. No futuro, o cenário pode ser pior ainda. A população mundial está estimada em 9 bilhões para o ano de 2050. E, para alimentar esse batalhão de gente, a atual produção de alimentos precisará dobrar.

Mas a expansão das terras cultivadas e a criação de animais não vão acompanhar esse ritmo. A solução, acreditam os especialistas, estaria nas fazendas de criação de insetos. Na África, um dos continentes mais atingidos pela fome, 62% dos países têm 500 espécies de insetos comestíveis presente na região, por exemplo.

Comparada à pecuária, a criação desses bichos causaria um impacto ambiental muito menor. Ela utiliza menos espaço e é mais barata. Além disso, os insetos se reproduzem em uma velocidade maior e emitem menos gás carbônico (causador do efeito estufa). Outra possibilidade que esse tipo de cultivo pode abrir é o aumento de renda familiar de comunidades carentes, uma aposta da FAO, já que eles poderiam ter suas próprias criações e comercializá-las.

E os artrópodes apresentam ainda uma relação eficiente entre ração e carne produzida. Estudos recentes feitos por um grupo de pesquisadores brasileiros mostram que os insetos têm mais carne a ser aproveitada e podem converter 2 kg de ração em 1 kg quilo de massa. No caso do gado, são necessários 8 kg de ração para produzir 1 kg de carne.

 

Comer insetos, uma questão cultural

 

A rejeição aos insetos é uma questão cultural. Para muitas pessoas, esse hábito é visto como um comportamento primitivo, por isso o preconceito. Mas os números podem surpreender. Atualmente, mais de dois bilhões de pessoas usam os insetos em suas refeições diárias. A maioria em países do sul da Ásia e regiões tropicais, como América Central, que abrigam mais de 300 espécies de insetos comestíveis.

Para acostumar a população a esse tipo de alimento, em 2013, duas redes de supermercados da França começaram a oferecer produtos testes e rodadas de degustação. É uma forma de fazer com que as pessoas deixem de ver estranheza num prato com larvas, minhocas e besouros.

 

Os benefícios e as vitaminas

 

Comer insetos não faz mal à saúde dos humanos – nós já utilizamos remédios feitos de insetos, por exemplo. Esses animais são ricos em proteínas, moléculas importantes na constituição do organismo. A proporção é vantajosa: um corpo de um inseto pode conter até 80% de proteína (o excesso de proteína deve-se ao sangue de temperatura fria desses bichinhos). Além disso, eles também são ricos em lipídeos de qualidade (gordura), fibra, vitaminas e minerais.

Mas cuidado: não dá para adotar essa iguaria no cardápio "caçando" no jardim de casa. Assim como os animais, os insetos podem estar contaminados ou podem ser focos de doença e pesticidas. A recomendação é que venham de criadores responsáveis.

 

Fonte:

http://vestibular.uol.com.br