Conflito na Síria: A Primavera que Não Consegue se Estabelecer

Publicado em 07/06/2013

Como já mencionamos outras vezes, diversos países do continente Asiático encontram-se em conflitos. Na Síria não é diferente. O país está atravessando um período bastante turbulento com o crescimento das revoltas contra o governo de Bashar al-Assad.

Mesmo com as sanções impostas pela ONU, o presidente sírio não abre mão  do poder e a escalada de violência aumenta a cada dia. Desde o início dos protestos sociais, em março de 2011, a Síria vive uma tensão social. A maioria da população corresponde aos sunitas, divisão do islamismo que abrange cerca de 90% dos islâmicos do mundo.

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O presidente Bashar al-Assad pertence à seita islâmica alauita, uma vertente dos xiitas. Eles podem ser considerados como a elite econômica e política da Síria, possuindo também uma posição privilegiada nas forças armadas. O governo sírio é apoiado pelo Irã, país de maioria xiita e que é declaradamente opositor à dominação geopolítica do ocidente na região. Recebe também grande influência do grupo xiita Hezbolah, milícia islâmica que luta pela criação de um Estado palestino e que recentemente assumiu o poder no vizinho Líbano.

Bashar al-Assad chegou à presidência no ano de 2000, após o falecimento de seu pai, Hafez al-Assad, prometendo uma série de reformas que nunca foram realizadas. O partido Ba’ath governa a Síria desde 1963, e pouco tempo depois que chegou ao poder, impôs censura à imprensa e decretou um Estado de Emergência, que é quando o governo pode tomar medidas que contrariam os direitos civis em nome dos ideais do Estado, efetuando prisões, impondo toques de recolher, entre outras medidas. 

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Atualmente, o país é governado por uma espécie de cartel formado por governistas e empresários. Algumas reformas políticas foram realizadas nos últimos anos, mas não foram suficientes para impedir as manifestações da população civil que começaram na cidade de Deraa, ao sul, e que se espalharam por todo o país.

A violência aumentou muito, e os dados da ONU indicam ao menos 10.000 mortes em um ano de conflito. Ao final do mês de abril, de 2011, o governo encerrou o Estado de Emergência que vigorou no país por 38 anos, autorizando as manifestações políticas pacíficas. Após a projeção internacional da crise, o líder sírio tentou convencer a ONU que as ações, contra os manifestantes, não eram intensas, diferente das informações que os rebeldes e os opositores em exílio expuseram para a comunidade internacional.

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A ONU e a Liga Árabe procuraram saídas diplomáticas e negociaram um cessar-fogo que aparentemente não foi praticado. Os bombardeios contra os focos de resistência rebelde ainda são constantes. As deserções de soldados sírios começaram a ajudar os opositores, que pretendem criar um conselho transitório de governo.

Os principais alvos dos rebeldes são os símbolos do poder do governo, como delegacias e tribunais. As cidades de Alepo (a mais populosa e importante) e a capital Damasco concentram a maior parte dos confrontos. O número de refugiados já ultrapassa a marca de 250 000 indivíduos, a sua maioria em direção à Jordânia. 

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Os Estados Unidos parecem não querer interferir diretamente na questão Síria por entenderem o momento inoportuno para encarar o Irã, que pode se sentir ameaçado ao ver o Ocidente interferindo nas políticas internas do seu aliado. Além disso, a característica apresentada pelo governo norte-americano de Barack Obama é evitar “novos Iraques”, isto é, guerras dispendiosas do ponto de vista financeiro e humano.

Há uma disposição por parte da ONU de tomar medidas mais drásticas contra Bashar al-Assad, que são veementemente refutadas pela China e Rússia, países que possuem em seus territórios conflitos separatistas e etnias que buscam autonomia. Várias sanções políticas e econômicas já foram impostas, como o congelamento dos bens do Estado sírio e a suspensão da comercialização do petróleo, principal produto exportado pelo país. A saída de al-Assad é algo inevitável, mas pode ceifar milhares de vidas até a sua consumação.

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